Atendimento Psicológico Bilíngue (individual e em grupo) para pessoas surdas, com deficiência auditiva e seus familiares

       A equipe do Instituto Ladd está especialmente interessada no cuidado com a saúde mental e o bem-estar das pessoas surdas e seus familiares. Em uma perspectiva bilíngue, trabalhamos de forma multidisciplinar com intuito de proporcionar o pleno desenvolvimento cognitivo, social e cultural das pessoas surdas. Disponibilizamos atendimento psicológico bilíngue individual e em grupos específicos, com a compreensão dos desafios que atravessam as pessoas surdas e dos benefícios de uma Identidade Surda para a saúde mental.

       Cerca de 95% das crianças surdas nascem em lares ouvintes, onde a família desconhece a língua de sinais e as possibilidades de uma Educação Bilíngue. Logo que o diagnóstico de surdez é feito, a área médica costuma informar apenas as possibilidades de reabilitação auditiva: implante coclear, aparelhos auditivos e fonoterapias.  Frequentemente, profissionais da área da saúde argumentam que a língua de sinais atrapalha o desenvolvimento da língua oral. No entanto, já é sabido que uma língua não atrapalha o desenvolvimento de outra, pelo contrário, crianças bilíngues possuem diversas vantagens cognitivas, emocionais e sociais.

     

      Felizmente, temos atualmente uma série de estudos das mais variadas vertentes e perspectivas da psicologia que levam em conta a abordagem antropológica/cultural, bem como o aspecto bilíngue e bicultural das pessoas surdas.

     

      Compreendemos o enorme desafio para uma família com uma criança ou jovem surdo, inclusive as dificuldades dos pais aprenderem uma nova língua já na idade adulta. Nesse sentido, acolhemos familiares de surdos e orientamos para a construção de um lar bilíngue, ambiente fecundo para o desenvolvimento pleno das crianças e jovens surdos. Mesmo que a família opte por implante coclear, ou por aparelhos auditivos e oralização, aconselhamos e oferecemos espaço para familiares possibilitarem seus filhos a aquisição de Língua de Sinais na mais tenra idade. Defendemos esta forma de trabalho, para que estas crianças, jovens e/ou adultos, possam optar pela forma de comunicação que sentirem-se mais à vontade, e que isso não venha a ser motivo de desequilíbrio mental ou ainda prejudique o seu desenvolvimento e bem-estar.

     Para saber mais!

     Mas surdos precisam de terapia pelo fato de serem surdos? Os familiares de pessoas surdas precisam de suporte psicológico? 

     No que se refere a surdos jovens e adultos, as pesquisas apontam que:

  • Surdos e deficientes auditivos têm até 4 vezes mais incidência de depressão (Van Eldik, et al. 2004).

  • 26% dos jovens surdos e deficientes auditivos cumprem critérios clínicos para depressão (Fellinger et al. 2009)

  • Crianças que não conseguem se comunicar no berço familiar tem quatro vezes mais chances de ter problemas de saúde mental do que aquelas que se comunicam bem em casa.

  • Apenas 25% dos pais ouvintes de crianças surdas que se comunicam por língua de sinais se sentem competentes na língua. (Dreyzehner e Goldberg, 2019). 

 

     De fato, a Comunidade Surda está mais propensa a ter transtornos mentais, como ansiedade e depressão (Boness, 2016). Isto não se dá pela ausência de audição em si, ou da condição surda, mas por uma série de atravessamentos.

 

      Esta propensão está associada:

1) a barreiras comunicativas;

2) a relação com mundo ouvinte,

3) a discriminação,

4) maior incidência de abusos,

5) inadequação do sistema de saúde.

Surdos não são biologicamente mais propensos a transtornos mentais. As dificuldades são causadas por barreiras sociais.

                     

                      Viver entre dois mundos com línguas distintas, isto é, entre o mundo ouvinte com a língua oral e o mundo da comunidade surda com a língua de sinais é um desafio constante, e pode sobrecarregar a saúde mental dos surdos (Griggs, 1998). A construção de uma Identidade Surda influencia de forma positiva a saúde mental de pessoas surdas, já que indivíduos surdos com identidade bicultural possuem mais bem-estar psicológico (Chapman e Dammeyer, 2019). 

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